Educar sem GRITAR!

Educar não é de todo fácil e acho que é transversal que há sempre momentos em que as crianças nos fazem perder a cabeça, desde as mais irrequietas às mais calminhas. O acumular do stress do trabalho, o excesso de preocupações, a correria ao sair de manhã, uma casa cheia de coisas para fazer, tudo isto aliado aos testes à paciência que eles nos fazem são alguns dos momentos onde gritar é tudo o que apetece e parece ser a única solução. No entanto gritar não é mais do que a forma mais fácil (e errada) que os pais encontram para impor respeito, que surge da sensação de impotência e perda de autoridade.

Educar sem gritar, parece impossível, daquelas coisas que são fáceis de falar mas difíceis de fazer. Não é simples, é verdade, e também não é de um dia para o outro. É um caminho de avanços e recuos.

Os gritos só trazem consequências negativas: frustração, desmotivação, baixa auto-estima e mais que tudo – impede a aprendizagem. Naturalmente que tudo isto exige trabalho e tempo para parar. Ficam então algumas dicas:

  • Eduque pelo exemplo: Se os seus filhos estão no quarto a discutir, de nada serve entrar no quarto a gritar “Não quero mais gritos!” – Vê a incoerência?
  • Pense como as crianças: as crianças não pensam como os adultos, logo, é inútil olhar para os comportamentos delas à luz dos nossos padrões. As expectativas, as prioridades e a interpretação delas são completamente diferentes das suas – “imediatamente” para elas até poder ser “quando acabar este episódio dos desenhos animados”. Tente compreender que não fazem por mal, não são mais do que atitudes irrefletidas.
  • Saia de cena.. e respire. Por vezes é importante distanciar-se para ser mais racional e menos emocional na hora de se zangar. Vai-se aperceber que muitas vezes o que aconteceu nem foi assim tão grave que justifique tanta zanga. Se foi, com calma, pense na melhor forma de reparar o problema. Se vão começar aos gritos, com ameaças de castigos, elas em defesa respondem também com gritos e a meio caminho dessa luta vão chegar ao desespero. Por isso pense sempre duas vezes antes de gritar
  • Encontre soluções para os momentos que são de habitual tensão: as manhãs, o jantar, a hora dos banhos. Se já sabe que é frequente irritar-se procure uma solução para que tudo se torne mais tranquilo. Por exemplo: lance-lhes um desafio (eles adoram!) – “aposto que não consegues tomar banho antes do alarme tocar! Vou marcar aqui 10 minutos”. Seja criativo e entre num jogo que lhe facilite a vida e elimine as situações de habitual tensão.
  • Escute e Converse: em grande parte das situações, quando há um conflito, é comum que os pais nem deem tempo para os filhos se explicarem “Não quero ouvir mais nada!”. Deixe-o falar e depois conversem. Para que uma relação funcione, a comunicação é essencial. Conversem sobre o que sentem e encontrem um equilíbrio.

Ser calmo e ponderado é um trabalho diário que exige um enorme envolvimento por parte dos pais. É preciso parar, refletir e por vezes até estudar. “100 Maneiras de fazê-los obedecer – sem gritos nem palmadas”, é um livro da psicóloga Anne Bacus que o poderá ajudar, com dicas simples e concretas.

Acima de tudo, lembre-se que ninguém é perfeito, que todos perdemos a paciência. Invariavelmente vamos acabar por gritar uma vez ou outra, o que até pode não ser totalmente negativo. Se nunca o fizermos, naquele momento, a criança vai perceber que o que fez foi tão grave, levando um dos pais a fazer algo que nunca faz, que não poderá repetir. Se por outro lado, gritar for frequente, eles não vão aprender. Isso é certo. No fim, todos ganham!

Dra. Maria Alarcão

Psicologia Clínica

Médica Psicóloga Clinica infantil

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