Organizar é estudar melhor

Está na hora de estudares! Vá, toca a ir estudar. Cada vez que as crianças ouvem frases congéneres há um desânimo que se lhes percebe aparecer de imediato pela descida das pálpebras e dos ombros. Estudar é aborrecido. Que chato! Não quero! Ouvimos dos pequenitos enquanto os mais velhos inventam mil desculpas para adiar o momento. E na maioria das vezes, conseguem.

A realidade é que estudar significa trabalho, a interrupção da brincadeira, dos momentos prazerosos de diversão e implica esforço e atenção. O que também pode ser divertido ou, pelo menos, pode ser realizado em ambiente menos rígido e de modo a procurar estimular o interesse e a espicaçar a curiosidade dos pequenos.
Haja vista, ninguém poderá pôr-se fora deste processo. É premissa essencial. Pais e professores fazem parte da mesma equipa e devem assumi-lo. Querem-se pais e professores que não andem de costas voltadas mas que criem diálogos saudáveis e cumplicidades para ajudarem o seu filho/aluno a passarem pelo processo de aprendizagem de forma saudável e feliz. Acompanhamento diário precisa-se. Afinal, queremos todos o mesmo.

Estudar, estudar, estudar! Ai! E como organizar tantas disciplinas? Como ter tempo para tudo? Como não deixar tudo para a véspera do teste?
Um dos primeiros erros comuns passa pelo facto dos alunos apenas iniciarem o estudo sistematizado e rotineiro já a meio do período escolar ou, em muitos casos, em S.O.S na véspera do teste. Ora, se é de “início” que se torce o pepino, ao iniciar-se mal mais difícil se torna corrigir o processo quando este vai já no adro.
Algumas sugestões práticas:

Estudar todos os dias desde o início das aulas – sim, podemos deixar a primeira semana de lado para se ambientarem, mas só a primeira:

1. Os alunos do 1º ciclo podem estudar apenas três vezes por semana respeitando as três disciplinas que têm ou pode ser diário, mas não mais do que 15 minutos. O momento de estudo pode incluir os T.P.C.’s ou alguma outra tarefa espontânea: ler uma estória com os pais; fazer jogos orais como partir palavras em sílabas; identificar a primeira ou a última sílaba da palavra; dizer palavras que começam pelo mesmo som; pela mesma letra; escrever rimas; estabelecer um dia especial sem oralidade, em que todos comunicam apenas por escrito; ler os panfletos do supermercado; fazer contagens progressivas e regressivas de 1 em 1, de 2 em 2, até 10; conhecer rotinas diárias e conversar usando os advérbios temporais hoje, ontem amanhã, antes, depois, os dias da semana; usar magnéticos com números e letras no frigorífico para fazerem contas ou identificarem números enquanto os pais cozinham; pesquisar na internet: o Clube Júnior da Texto Editora  é uma boa alternativa – lá encontram-se várias possibilidades, desde informação a jogos e estórias interactivas. Há um sem fim de possibilidades. Só é preciso tempo e dedicação.

2. Para os mais velhos, a partir do 2º ciclo, que vêem a sua vida mais dificultada por terem mais disciplinas, a organização é uma amiga da maior importância e que evita inúmeras derrapagens e muitos desvios de percurso na hora de escolher um curso superior, por exemplo. É muito chato ter que escolher um curso de que não se gosta porque a nota é insuficiente ou porque apenas nos preocupámos com isso na hora de preencher a candidatura de ingresso ao ensino superior.
Posto isto, não há necessidade de estudarem tardes e noites a fio desde o início – mais uma vez (fazendo questão de repetir para reforçar), uma agenda bem organizada ajuda a cumprir objectivos de modo mais distribuído, evita frustrações e pressões indesejáveis e desnecessários: inicialmente e procurando não assoberbar os estudiosos fugidios, 30 minutos diários divididos por duas disciplinas podem ser suficientes; conforme o tempo e a informação vai adensando e aumentando podemos, ao fim-de-semana e sempre que necessário (as semanas perto dos testes, por exemplo) fazer um estudo de 1h30 mais uma vez dividido em períodos de 45 minutos cada que podem ser divididos por duas disciplinas; ou, no fim-de-semana em época de testes, um máximo de 3h divididas por 1h30 de manhã e 1h30 à tarde. Cada 1h30 pode, mais uma vez ser dividida em 45 minutos por disciplina ou conforme a necessidade. São tudo apenas possibilidades

Quando há T.P.C’s esses ocupam o horário e tempo estabelecido, quando não os há podem ser feitos apontamentos, sublinhar a informação importante – só mesmo a importante de modo a poderem encontrá-la facilmente quando necessária – sublinhar tudo é igual a não sublinhar, é quase um Onde está o Wally? Quando o que queremos é encontrá-lo o mais rápido possível; ver um vídeo no youtube sobre um assunto falado em aula (no youtube encontramos mais do que música, há muitos vídeos de informação, até sobre os Lusíadas  e pode ser um meio); começar logo a ler aquela obra obrigatória – os resumos não resolvem; aliás, ler a obra dá muito menos trabalho e providencia muito mais conhecimento.

O importante para qualquer idade e ciclo é ir estudando um pouco de tudo ao longo da semana e apertar o cinto sempre que se está em altura de teste e exames. O estudo, assim como o processo de aprendizagem – aliás, o estudo é ferramenta que integra esse processo – deve ser contínuo e natural. Não é um prego que enfiamos na parede à custa de lhe batermos com o martelo. Existem inúmeras formas de organização, o importante é encontrar uma que se adapte à criança/jovem permitindo-lhe optimizar a aquisição do conhecimento, criando hábitos que se conservem ao longo do percurso escolar estimulando a sua vontade, a autoestima e a autoconfiança.

Prof. Susana Moura

Escrita Criativa

Professora de Escrita Criativa e Português para Estrangeiros (PLE)

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