Exercício de construção de personagem

A Arte imita/representa/traduz/reflecte a e sobre a vida humana  e a sua realidade, por outro lado, a nossa imaginação tem a dimensão do nosso conhecimento – vejam o artigo A Criatividade é muscular: http://mini-style.pt/a-criatividade-e-muscular/

Assim, na hora de construir uma personagem levo sempre os meus alunos a irem para a rua observarem um modelo vivo, pois que em tudo encontramos texto e narrativa; a gestualidade de cada um esconde a sua própria linguagem e sentidos próprios e revela-nos, fala de cada um. Hoje lanço-vos o mesmo desafio:

Preparação: Já sabem, o exercício consiste em ir para a rua, portanto há que escolher uma esplanada de café, um jardim, um local onde seja possível observar longamente e pormenorizadamente alguém que pareça não ir do lugar; se, por ventura, o vosso modelo for embora, analisam a quantidade de informação recolhida, caso não seja suficiente não percam tempo e procurem outro.

Durante a observação a única função é listar todos os pormenores possíveis tão fielmente quanto possível; dissecar toda a sua gestualidade e o que ela te transmite. Posteriormente, inicia-se a fabulação de alguns aspectos: nome completo, idade, nome completo dos pais, se tem irmãos, quantos, irmãos ou irmãs, se é o mais novo ou o mais velho, de que género é o irmão mais novo e mais velho e por aí fora; de seguida, a profissão, qual o ordenado (todos nós temos uma vida face ao que o ordenado nos permite), profissão dos pais, onde nasceu e onde vive, passatempos, desejo, objetivo de vida, receios, fragilidades, hábitos de higiene (este aspeto poderá contribuir para dar algum humor, para dar ritmo e verosimilhança) e outras características de personalidade. Retirar elementos do ambiente em redor, cheiros, cores, ritmos, aspetos arquitetónicos, clima…

Entretanto, pense-se que num filme de cinema mudo ou numa peça de teatro do gesto o texto é-nos transmitido pela gestualidade comunicativa e activa dos personagens. Através da morfologia do movimento podemos traçar um perfil psicológico / de personalidade / de carácter e incrementá-lo ao nosso protagonista.

Eis um pequeno exemplo contrastivo de duas pessoas em que uma abotoa os todos botões da camisa  e a outra deixa o primeiro por abotoar. Duas das várias interpretações possíveis são:

  1. a) ou se trata de uma pessoa informal; mais jovem; desinteressada; desleixada; mais trendy; etc.;
    b) ou se trata de alguém mais reservada, mais tímida; mais formal; mais conservadora; ou que simplesmente acabou de sair do trabalho; etc.;

Observação feita, caderno e caneta arrumada, é hora de namorar ideias, possibilidades; escrever logo se apetecer, mas viver um pouco com a personagem é importante para a deixar crescer e ganhar forma e depois sim, caneta rumo à estória.

Escrevam uma estória sobre esta personagem sem grande desdobramentos relativos a outras e o aspecto obrigatório é mencionarem o espaço geográfico – tem a função de estreitar a relação com o leitor e viabilizar ao mesmo tempo a oportunidade de mergulhar em imagens aquando a leitura. Este é o primeiro exercício para iniciares o pequeno projecto destes curso, o teu microconto.

Dever-se-á ter em conta o tempo para pesquisa, planear-se e atentar à coerência.

Aspectos a ter em conta durante todo o processo – imaginar sempre que se está a escrever um livro que vai ser lido por alguém, que vai ser editado e vai ter um público leitor. Quem é o meu público leitor? Que tipo de livro é o meu? O que quero eu transmitir? Saber responder à pergunta: o meu livro é sobre..?

Prof. Susana Moura

Escrita Criativa

Professora de Escrita Criativa e Português para Estrangeiros (PLE)

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