A mãe da Moda

Esta é uma mãe que está na moda, ou não fizesse ela a coordenação do gabinete de imprensa e comunicação da modalisboa desde 2005. Manuela Oliveira é ainda responsável pela imprensa nacional e internacional durante o evento, responsável dos conteúdos de televisão que a modalisboa tem na RTP durante a edição e… mãe do Diogo, de quatro anos.
por Catarina Poderoso e Fotógrafo Duarte Roriz.

                   

Já sentia a necessidade de ser mãe há muito tempo?

Sim… quer dizer, não era há muito tempo. O meu marido, sim. Mesmo antes de casarmos já tinha essa urgência em ser pai. As mulheres têm sempre outras responsabilidades, é a mulher que engravida. A mulher já sabe que, nos primeiros tempos, é quem vai ter que dedicar mais tempo ao bebé; amamentar, etc. Eu tive um irmão quando tinha 18 anos, por isso tive desde logo a noção do que era ter um ser humano pequenino. Entre o liceu e a entrada para a faculdade, estive um ano parada a tomar conta dele, por isso tinha muita percepção do que era ter uma criança a nosso cuidado. A minha avó costumava dizer: “Ai, filha, tu nunca mais vais ter filhos.” Claro, ela via-me ali num papel de mãe, mas claro, depois, não tem nada a ver. Quando o filho é mesmo nosso, pensamos “Como é que é possível? Eu tinha irmãos pequenos, primos à minha volta, e nunca me apercebi destas coisas!”

Que coisas?

Por exemplo, a história do “baby blues”… não me fazia sentido, mas quem é que vai ficar infeliz por ter um bebé? E eu adoro crianças. Lá está, adiei ser mãe para dar prioridade ao trabalho e tinha receio de não ter tempo, até que chegou a altura em que parei e disse “Não. É agora.” Já tinha entrado no ritmo do dia-a-dia, e senti que faltava alguma coisa quando chegava a casa. Foi nesse momento que pensei em começar a tentar. E consegui engravidar à primeira tentativa. Ele nasceu em Dezembro, estava um temporal horrível, e depois tive que fazer uma cesariana, a amamentação também não correu bem, enfim, as pessoas acham que é tudo muito romântico, um conto de fadas, mas depois na prática não é bem assim. Parece que fomos à guerra e que levámos com quatro granadas em cima e é tudo avassalador. Mesmo.

Não estava preparada para isso?

Para isso, a nível físico, não estava preparada. Primeiro, lá está, foi de cesariana. E eu estava a contar com um parto normal. Tive a noite toda à espera do parto, e depois de repente o bebé entrou em sofrimento e teve que ser cesariana. Mas pensei “pronto, pelo menos não passo pelo parto normal”. Mas depois a parte da amamentação… eu sou muito sensível na pele, qualquer coisa fico logo encarnada. E põem-te o bebé no peito, a sugar pelas tuas maminhas… e eu, automaticamente, comecei a fazer ferida. A ter de dar de mamar de três em três horas, num período inicial, que é de habituação, foi um tormento. A primeira semana foi muito difícil. Mas não desisti. De cada vez que ia dar de mamar, era um suplício. Foi aí que resolvi tirar leite com uma bomba. O que resultou que, se ele tinha de mamar de três em três horas, eu tinha que acordar 40 minutos antes para tirar o leite. Até que ele fez um mês, e por eu tirar o leite com uma bomba, fiz uma mastite [inflamação da mama]. Tive que ser operada, com anestesia geral, para tirarem a inflamação. E, nesse dia, quando acordei, tive umas dores horríveis. Foi mesmo a pior dor da minha vida. Achei que ia morrer. Claro que não pude dar de mamar, e ele teve que tomar leite adaptado. Quando voltei para casa, estava fora de questão voltar a tirar o leite com a bomba e depois foi a ansiedade por voltar a dar-lhe de mamar. Pensei que não ia ser capaz. Mas a realidade é que, a partir desse dia, acabaram-se os dramas da amamentação. Naquela primeira semana de vida do Diogo, não dei tempo ao corpo para se habituar ao processo da amamentação. Adoptei logo a bomba. Mas depois da operação correu tudo super bem a nível da amamentação.

E acha que algum dia vai contar essas histórias ao Diogo?

Sim, sim! Na verdade, ao início estava tão traumatizada com aquilo que, quando as minhas amigas me contavam que iam ter um bebé, contava-lhes logo isto tudo! Porque eu não entendia porque é que ninguém me tinha contado estas partes! Ainda por cima, claro, saltamos capítulos dos livros a achar que aquelas coisas não nos vão acontecer. Mas não. A parte da amamentação é de facto muito difícil. Claro, há pessoas a quem corre muito bem, mas eu sofri horrores! Depois de tudo o que se passou, parecia uma fábrica de fazer leite! E amamentei até aos 11 meses, que foi quando achei que estava na altura de parar. E assim que eles deixam de mamar, ficamos logo mais independentes. Mas, por outro lado, também custa horrores. É um laço que crias com o teu bebé. É super bonito. É um hábito que eles vão criando, mas nós também. Mas a mudança foi super tranquila.

E foi difícil estar ausente do trabalho durante a licença de maternidade?
A realidade é que planeei estar de licença de maternidade quatro meses, como tenho um trabalho que funciona muito sazonalmente, ou seja, temos duas edições por ano, tentei estar ausente das edições o mínimo possível. O Diogo nasceu em Dezembro, por isso a edição de Março não consegui fazer. E depois, sou sincera, seis meses fora do trabalho parecia-me uma coisa absurda. Então sempre apontei para os quatro meses e foi o que fiz. O Diogo foi com quatro meses para a creche, mas, se fosse hoje, não o teria feito. Ele era muito pequenino, e quatro meses passam a correr!

Então, foi difícil voltar?

Não foi. Adaptei-me super bem, até porque gosto imenso do meu trabalho e, de facto, uma pessoa quando fica em casa o tempo inteiro… (risos) Eu sou aquela pessoa que precisa também de sair, de ver outras coisas. Claro, adoro estar com o meu filho, mas preciso de sair.

É calminho, o Diogo?

É. É super agitado e extrovertido. Parece um piolho eléctrico. Tem muita energia. Anda sempre a correr de um lado para o outro. Mas é obediente. Se lhe digo para ir para o castigo, aceita o castigo. Acho que isso também tem muito que ver com a escola.

Acha que é uma mãe tradicional?

Acho que sim. Por exemplo, vejo imensas pessoas à minha volta que lêem imenso e que procuram mais alternativas. Eu escolhi o meu pediatra, e a partir do momento em que o escolhi, confio nele. Se me diz que algo é assim, eu acredito. Não ando à procura de mais informações. Desde que eu veja que o meu filho está bem, que, segundo a minha percepção de mãe, está bem, é para seguir. Estou sempre a dar miminhos e beijinhos, mas se ele faz asneira, é castigo. Se eu digo que não, é não. Temos rotinas muito tradicionais.

Apesar de trabalhar no mundo da moda, consegue ser “tradicional”… 

Sim. Por exemplo, eu nunca o levo para eventos. Evito ao máximo. Vem um bocadinho no início só para dar um beijinho. Tento ao máximo não o trazer. Até porque, depois, nem lhe posso dar atenção a ele, nem às pessoas. Mas coordeno bem as coisas com o pai. E tento sempre ir buscá-lo à escola e dar-lhe o jantar.

O que é que gosta mais de fazer com ele?

Gostamos muito de fazer desporto. Gosto de o ir buscar à escola a pé. Assim que me vê, pergunta “Trouxeste carro?” Quando lhe digo que não diz logo “Boa!” E vamos da escola até casa a fazer corridas. Gostamos de andar de bicicleta, também. E diverte-se, claro, a ver bonecos. E gosta muito de fazer torres. Fazemos torres muito altas! E quando traz tarefas da escola para fazer, também não me importo nada de o ajudar… sei lá, uma bola de Natal, um anjinho em papel…

Antes de ser mãe, via-se nesse papel? Achava que ia ser uma mãe disponível?

Sim, sim. Gosto mesmo muito de crianças. Quando chego a um sítio e há crianças, gosto de passar tempo com elas. Lá está, essa é a parte romântica. Não estava era preparada para a parte física!

Acha que, se tiver outro filho, a relação que tem com o Diogo agora pode ficar diferente?

Eu tenho dois irmãos e amo-os de morte. Nunca senti ciúmes nenhuns deles. Nenhuns. Adoro os meus irmãos e é por essa razão que queria tanto ter mais filhos: não me imagino na minha vida sem os meus irmãos. São uns chatos (risos), mas adoro-os! Queria muito que o Diogo tivesse essa camaradagem.

É normal a mulher negligenciar-se um bocadinho depois de ser mãe. Também sentiu isso, apesar de trabalhar no mundo da moda?

Não, de todo. Senti-me mais cansada. De facto, no início foi difícil. Engordei 20 quilos com a gravidez e claro que ao início pensei que não ia conseguir recuperar. Mas depois, com o exercício físico, em três meses recuperei. E parece que não temos tempo. Lembro-me de estar a secar o cabelo com o meu filho ao colo! E aqueles momentos de cansaço profundo deixam-nos mais em baixo. Mas também tive a consciência que ia melhorar.

Jogo rápido

Interesses: Leitura. Viciada em séries, a última que vi foi “Stranger Things”. Desporto: correr, nadar, aulas de grupo no ginásio.

Inspiração no mundo da moda: Emmanuelle Alt (directora da revista “Vogue” de Paris).

O que é que diria a si mesma, se pudesse voltar atrás no tempo, antes de ser mãe? Diria que mais vale mais cedo do que esperar tanto. Fui mãe com 32 anos.

Algumas confissões enquanto mãe.

Ter muita calma, sempre. Tentar dormir o máximo possível. Não tentarmos fazer tudo. Não somos super-mulheres! Ser mãe é a melhor coisa do mundo. De repente, preocupamo-nos mais connosco, mas não é por nós. Apercebemo-nos que há alguém que depende de nós. De repente, temos medos, coisas que nunca pensámos! E há coisas que nos começam a causar alguma apreensão. E não concordo nada com o “mimo a mais”. Acho que temos que demonstrar todo o amor. Claro que, quando é preciso repreender, é para o fazer, mas mimo a mais acho que não existe. A palavra “mimado” tem uma conotação negativa, mas nem sei bem porquê. O mimo não é sinónimo de má educação.

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