Os brinquedos têm género?

Brincar é absolutamente fundamental na infância e apresenta-se como uma das principais formas de aprender, conhecer e compreender o mundo, já para não falar que se apresenta como a melhor forma de as crianças expressarem aquilo que ainda não sabem pôr em palavras.

É na brincadeira que se vão conhecendo, que aprendem a interagir, que conhecem o mundo as suas regras. Se todos concordamos que é importante que eles tenham acesso a diferentes tipos de brinquedos e experiências, porquê limitar essa exploração? Porquê impor regras e limites nesta aprendizagem?

“ Carros e futebol é para rapazes” “Bonecas são para as meninas”. É mesmo assim? Existem mesmo brinquedos para rapaz e brinquedos para rapariga? Faz sentido esta distinção tão marcada? É benéfico incutir-lhes estas diferenças?

No fundo, frases como as acima indicadas são frequentes e pouco refletidas. A ideia de que há determinadas brincadeiras que são exclusivas de raparigas e outras de rapazes não são mais do que preconceitos culturais, que podem ser prejudiciais: se neste processo de exploração e descoberta estivermos a impor limites e barreiras, essencialmente com base em tabus culturais, estamos a impedi-los de serem livres na aprendizagem e na descoberta que não são mais do que as principais vantagens dos brinquedos. Para além do mais, impedir o uso de determinados brinquedos ou a prática de determinadas brincadeiras pode incentivar e perpetuar o preconceito e o estereótipo.

Em bom rigor, as crianças são extremamente curiosas e a sua avidez de conhecer e explorar é verdadeiramente positiva e não significa nada mais do que isso. Veja bem como todos os brinquedos são importantes: os brinquedos de construção, de acção (aqueles “típicos dos rapazes”) são importantes para desenvolver capacidades de resolução de problemas e encorajam a criatividade; os brinquedos do “faz de conta” (aqueles “típicos das raparigas” – como bonecas, uma casinha com cozinha, etc), são excelentes para desenvolver a motricidade fina, a socialização e até a linguagem. Nos desportos, o futebol e o ballet cada um da sua forma dá-lhes ferramentas importantes para o crescimento.

Por isso, não há nada de preocupante de um rapaz gostar de brincar com bonecos (que possivelmente até o faz com frequência na escola com um grupo de rapazes e raparigas), ao faz-de-conta, ou se uma rapariga quiser jogar futebol e andar de skate. E não se preocupe, nada indica que a troca de papéis nas brincadeiras influencie de alguma forma a orientação sexual.

São crianças, são curiosos, têm vontades e vão atrás delas, sem estereótipos, porque nada verdade, não há nada de errado em brincar com bonecas quando se é rapaz.  Brincar é algo inerente à educação infantil e não há nada mais natural do que a espontaneidade. Deixemo-los conhecer o mundo, experimentar, inventar e criar!

 

Dra. Maria Alarcão

Psicologia Clínica

Médica Psicóloga Clinica infantil

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