Os pais e a culpa

No meio do ritmo alucinante, com a sensação de que os meses correm e os dias voam, muitas vezes a disponibilidade e o tempo para estar com os filhos é escassa e parece que nunca chega, principalmente quando eles pedem mais.

Assim, surge o sentimento estranho que mistura, a realização pessoal, aquilo a que como pais sentimos que temos direito, com a angústia de não ter mais tempo para passar com os filhos.

Quando aparece a angústia e a culpa, abre-se a porta às permissões especiais, às execpções, que por vezes se tornam regra, estando dado o mote para, como pais, nos tornarmos incapazes de dizer “não” aos filhos. Se, por um lado, aliviamos a culpa, dando-lhes a eles e a nós uma falsa compensação, por outro lado promovemos neles o “querer desmedido” e até mesmo a manipulação.

Contudo, esta culpa muitas vezes não surge só pela falta de tempo, ela muitas vezes aparece a par com as dificuldades financeiras. Nem sempre é fácil acompanhar as vontades deles e as modas por vezes não são amigas da carteira. Dizer-lhes constantemente que não podem ter, aquilo que todos os amigos têm, não é fácil para ninguém.

Antes de mais nada, há uma coisa importante de referir: não lhes dar tudo é possivelmente das melhores coisas que lhes pode dar. As limitações fazem parte do crescimento e ajudam-nos a amadurecer. E neste ponto há que ser irredutível. Se não dá, há que lhes explicar o porquê de não dar. É importante falar com eles honestamente, não lhes mentir nem prometer aquilo que não sabe se poderá dar. Todos estes “nãos” vão possivelmente deixá-lo triste, mas também os vão ensinar o importante que é lutar pelo que se quer, e que não podemos ter tudo no imediato. No fundo, vamos estar a prepará-los para lidar com as frustrações que, inevitavelmente, a vida lhes proporcionará.

Voltando ao tempo, quantidade não é qualidade. Parece utópico mas não é. Na verdade apenas temos de, como pais, reorganizar o dia, reorganizar a cabeça e as prioridades.

Então como fazer uma melhor gestão do tempo?

  • Organize previamente o tempo que terá quando chegar a casa. Não é fácil mas é importante encontrar uma dinâmica compatível com tempo para estar com os filhos, para que não chegue a casa, os 5 dias úteis da semana, sempre com coisas para fazer até à hora de jantar e sem tempo para eles. Se puder, antecipe ou adie chamadas, pessoais ou de trabalho, reorganize refeições, ou estabeleça dias específicos para determinadas tarefas domésticas.
  • Aproveite as horas as refeições. Quando falava de reorganizar a cabeça era aqui. Foque-se e lembre-se que este é o momento ideal para promover o convívio e a comunicação. Abstraia-se dos problemas pessoais ou profissionais que possam estar a acontecer, largue as televisões e outros equipamentos eletrónicos.
  • A hora de deitar poderá ser um momento, ainda que curto, importante para estarem juntos.
  • Permita-se a errar e a não ter tempo. Não existem super-pais e há coisas que são inevitáveis. Há dias em que se tem de trabalhar mais, há semanas mais complicadas. Não se culpe por isso.
  • Promova saídas em família, momentos diferentes das habituais rotinas. E lembre-se de uma coisa: levá-los a passear não é o mesmo que ir passear com eles.
  • Faça também um esforço no sentido de tirar um tempo para si próprio(a), de forma o mais regular possível, para que de um modo saudável, possa estar mais presente e disponível. Tem de haver um “tempo só seu” para que os tempos com os outros sejam produtivos. Inclusivamente o tempo com os seus filhos.

 

Procure evitar sentimentos de culpa ou penalização, permita-se a errar. As falhas são naturais na parentalidade e educar é um processo de aprendizagem: quanto mais educamos, mais aprendemos a fazer mais e melhor!

Dra. Maria Alarcão

Psicologia Clínica

Médica Psicóloga Clinica infantil

13726655_1751867141691494_3018430576414851694_n

Entre no clube Mini Style e seja a primeira a receber informação e descontos exclusivos.

Não mostrar esta mensagem novamente
BREVEMENTE

Entre no clube Mini Style e seja a primeira a receber informação e descontos exclusivos.