Os pequenos pinóquios lá de casa

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Porque mentem as crianças? O que as leva a mentir? O que é que procuram? E nós, o que vamos fazer?

Falamos de uma mentira quando a pessoa que a diz teve a intenção consciente e clara de enganar. Desta forma acho que todos nós concordamos que uma criança pequena não tem essa intenção. Assim sendo antes dos 6/7 anos não podemos falar em mentira até porque que as crianças não têm a capacidade de distinguir entre realidade e fantasia (que tantas vezes é a origem da “mentira”). As crianças pequenas gostam de inventar, de sonhar, de imaginar histórias. Faz parte do seu crescimento e acima de tudo é saudável. Mas também é natural que exista alguma confusão e o sonho, a invenção por vezes é tão real na sua mente que podem jurar mesmo que é a verdade.

A verdadeira mentira, essa, implica como já foi referido, alguma intencionalidade e começa a aparecer por volta dos 9 anos, estando associada normalmente a quatro aspectos: evitar castigos, não deixar o outro triste ou desiludido, chamar à atenção ou conseguir algo que quer muito. Embora consigamos encontrar alguma legitimidade na mentira, não podemos de forma alguma validá-la, nem reforçar esse mesmo comportamento de uma forma negativa. As mentiras podem começar a acontecer com alguma regularidade e é normal que isso assuste os pais. No entanto recorrer a castigos, embora possa ser o que nos parece mais adequado, neste caso poderá reforçar o recurso à mentira como estratégia de evitamento. Na cabeça deles funciona de uma forma tão simples como: “Se disser a verdade, vou ficar de castigo. Então, não vou dizer a verdade”.

“Mas então, se não o posso pôr de castigo faço o quê?”

Acima de tudo, o mais importante é reforçar a relação de confiança, mostrar-lhe que esta não foi quebrada, explicando-lhe que o comportamento é errado e que numa próxima vez deverá contar com os adultos para a ajudarem. Desta forma começará a perceber que não existe necessidade em mentir.

Mostre-lhe que a mentira não é tolerável e que acima de tudo é um acto desnecessário.

Não o pôr de castigo não significa que não o faça ver que as mentiras têm consequências: o importante é que ele repare o erro e assuma as responsabilidades.

Estimule conversar sobre o assunto: muitas vezes a mentira poderá estar associada a um sofrimento emocional e é importante que conversem sobre o sucedido para compreender os motivos que o levaram a agir de determinada forma.

Evite os rótulos comuns, dizer mentiras não é o mesmo que ser mentiroso.

Dê o exemplo: a máxima do “faz o que eu digo, não faças o que eu faço” não é interiorizada por uma criança e o que serve de modelo é o comportamento. Quantas vezes não pediu a alguém ou até mesmo ao seu filho que minta para evitar, por exemplo, um telefonema indesejado?

Por fim, caso se engane numa acusação, não hesite em pedir desculpas. Irá incutir-lhe o sentido de justiça, fundamental para a construção da responsabilidade e honestidade.

 

 

Dra. Maria Alarcão

Psicologia Clínica

Médica Psicóloga Clinica infantil

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