Que direitos, miúdos?

Nunca se falou tanto de educação como nos dias de hoje. Nunca os pais e a sociedade que os integra discutiram tanto o papel, as necessidades, os direitos das crianças. Uma sociedade que todos os dias exige competências, brincadeira, talentos, saberes, tempo em família, alimentação saudável, valores de altruísmo e solidariedade – a par de um consumismo competitivo que corre atrás do último must have – tanto da área do ter (o último telemóvel, a última coluna portátil) ou do saber (o último curso que não sei para que serve mas tirei na escola y e diz que é muito bom) para estabelecer um determinado status quo.

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No ambiente escolar não é diferente. A saúde escolar/educacional não andará nos seus melhores dias. Não valerá a pena apontar o dedo indicador aos professores. Antes de profissionais são pessoas e no exercício da sua  função e e estão limitados ao que o sistema e ambiente lhes permite. Bons e maus profissionais haverá em todas as classes. Também não valerá apontá-lo aos pais que atropelam os professores, ansiosos com as suas dúvidas e angústias. Não se trata de culpa, mas de um diálogo de entendimento entre as partes responsáveis pelas crianças –  pais, professores e todos quantos os que interferem com eles, na sua educação, na sua formação pessoal/humana e académica.

Por vezes, os adultos, sem querer, deixam que a urgência do dia a dia se transforme na tónica da relação com os mais novos. Desaceleramos. Façamos todos um esforço em prol dos alunos/crianças e jovens que têm direito a:

. pais que acordem com tempo para os preparar e levar à escola com paciência e sem correr – chegar à escola já num ritmo de stress que vem de casa, dos atrasos dos pais não é salutar nem ensina bons hábitos.

. professores que entrem na sala de aula com um sorriso –  na vida há dias melhores e outros menos bons, por vezes é difícil mas devemos fazer por ter a capacidade de deixar os problemas fora da sala de aula.

. aulas preparadas e personalizadas, que tenham em conta os alunos em si, individualmente e no seu conjunto – os objectivos programáticos dirigem-se a todos mas somos todos diferentes e recebemos e processamos o conhecimento de forma distinta; não é possível, por exemplo, os alunos continuarem a estudar obras literárias através das famosas apresentações de powerpoint que os escusa de ler a obra no seu todo e é só fazer copypaste da internet. É importante centrarmo-nos todos na aprendizagem em si, no ensinar e não no cumprir metas curriculares por mais exigentes que sejam.

. professores que ouçam os alunos, que esclareçam realmente as dúvidas sem se esquecerem de ninguém –  que se arranjem soluções quando o tempo não o permite; o tempo é realmente curto. As crianças não se esquecem de que não receberam atenção, guardam isso dentro de si, no entanto, são muito compreensivas quando nos esforçamos por sermos justos com elas e conseguem perceber que a justiça nem sempre vem na forma da solução que idealizaram.

. pais que antes de exigirem resultados, se envolvam no dia a dia dos seus filhos de forma activa no processo de aprendizagem dos seus filhos – debates, perguntas à mesa, no caminho para a escola, jogos, conversar simplesmente sobre as coisas que aprendeu,  o que mais gostou de aprender, pedir para que o filho lhe ensine ou explique e ouvi-los com atenção.

. adultos que se lembrem que a formação não são resultados numéricos no final do período – os resultados interessam, claro, e não podem ser encarados levianamente já que o sistema em que nos inserimos se organiza desta forma, mas é uma necessidade funcional e se nos focarmos em ensinar e aprender com o entusiasmo do descobrir, os resultados aparecem.

. Pais e professores que dialoguem, que os primeiros não insurjam pela sala de aula cheios de reclamações e razões sem ouvir e pôr em perspectiva. Queremos todos o mesmo. No diálogo pelo entendimento está a solução e o exemplo que damos aos pequenos.

. Professores que digam com serenidade que não sabem, que não se lembram, mas que no entanto se mostram activos na procura a resposta quando isso acontece – somos todos humanos e nem sempre estamos no nosso melhor dia. Com essa atitude também se ensina humildade, tolerância e estimula-se a criatividade e o trabalho em equipa: vamos procurar juntos a resposta.

. Tempo para brincar, brincar, brincar. Tempo, tempo, tempo só para estarmos com eles, só porque querem a nossa companhia mesmo que não digamos nada. As crianças – enquanto são crianças – querem e precisam do conforto da companhia do adulto. Confere-lhes afecto, confiança e segurança, o que reforça  a sua auto-estima – ingredientes que conduzem a um sucesso mais pleno e feliz.

Prof. Susana Moura

Escrita Criativa

Professora de Escrita Criativa e Português para Estrangeiros (PLE)

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