Rotina, para que te quero?

É comum ouvirmos que é importante que as crianças tenham uma rotina, mas será que já pensámos porque é que ela é verdadeiramente importante no seu crescimento?

A rotina é um dos principais e mais importantes aspetos do desenvolvimento de uma criança, desde que nasce. A sua consistência e a dinâmica que confere ao dia-a-dia promove o desenvolvimento da autonomia, tornando-os mais seguros de si, propiciando assim a criação de um espaço saudável para o desenvolvimento da autoestima. Mais do que tudo a rotina é algo que lhes vai trazer tranquilidade, segurança e confiança!

A organização cognitiva dos diversos momentos do dia-a-dia vai também otimizar a aprendizagem e prever o que vem a seguir. Esta capacidade de antecipar vai ajudá-los a perceber o que esperar e, mais do que isso, a confiar nos adultos cuidadores com a certeza de que irão satisfazer as suas necessidades. Desta forma temos automaticamente crianças menos ansiosas.

À medida que crescem vão naturalmente questionar os pais sobre algumas das rotinas, o que é expectável e até desejável. Paralelamente deverá também começar a existir uma maior abertura para a flexibilidade, surgindo assim espaço para alguma autonomia dentro da própria rotina. Há muitas escolhas que podem naturalmente começar a ser feitas por eles, como a roupa que querem usar para a escola (desde que não queiram usar roupa de verão em pleno inverno!), os brinquedos que querem levar para algum lado, ou até com quais querem brincar num determinado momento. No entanto, há decisões que passarão sempre por si.

Nós, adultos, queremos com frequência quebrar a rotina, ela aborrece-nos mesmo. No entanto, o mesmo não acontece com as crianças. A rotina ajuda-os a lidar com o desconhecido, a não sentirem medo e ansiedade. Mas, como em tudo na vida, é preciso não exagerar. A rigidez não é boa em momento algum! Se nunca formos flexíveis, estamos a mostrar-lhes um mundo “supercontrolado”, um mundo artificial, onde naturalmente lhes apresentamos as mudanças, as surpresas e os contratempos como algo de negativo e com os quais não vão saber lidar, criando espaço para que se desorganizem quando a rotina não é cumprida. Se é costume adormecer com uma determinada música na cama dele e os pais se encontram num jantar fora de casa, não deverá ser suposto saírem. Se naquele dia específico e naquele local existe um espaço tranquilo onde consigamos pô-lo a dormir, assim deverá ser. Quando são mais velhos e a rotina é quebrada, é importante que lhes expliquemos o que mudou e porquê. Essa flexibilidade é essencial para a construção da tolerância e da frustração.

Acima de tudo é preciso bom senso e nunca nos esquecermos que a rotina deverá ser uma referência, não uma regra rígida, porque de outra forma, uma organização rígida e pouco empática anula todos os benefícios da rotina! Lembre-se que uma criança organizada externamente consegue com maior facilidade organizar-se internamente.

Dra. Maria Alarcão

Psicologia Clínica

Médica Psicóloga Clinica infantil

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