A saúde da mulher após a gravidez

Depois do parto, quer tenha sido um parto vaginal ou cesariana, há um período de

internamento no serviço de Obstetrícia. Este período é mais reduzido se tiver sido

um parto vaginal e não houver complicações (como por exemplo hipertensão) e será

de maior duração se tiver sido cesariana ou se houve intercorrências.

Estes dias são importantes, em termos de recuperação da mãe e vinculação com o

bebé. É importante que não sejam dias de grande stress, com muitas visitas – estas

podem ser deixadas para mais tarde, quando o equilíbrio familiar estiver

restabelecido. A presença do pai é permitida na maioria das instituições, e é

fundamental.

Para além disso, é nesta altura que médicos e enfermeiros procedem aos ensinos

essenciais para o regresso a casa: os cuidados de higiene com o bebé e mãe, a

amamentação, os cuidados com as feridas operatórias ou do períneo, as vacinas,

entre outras.

Depois da alta, a mãe deve marcar consulta com o seu médico assistente na 6ª

semana após o parto, a vulgarmente denominada “Consulta de Revisão de Parto”,

onde para além do exame ginecológico e eventual ecografia e citologia, o médico

fará o aconselhamento relativamente ao método contraceptivo mais recomendado.

Mesmo a amamentar, há várias opções de contracepção disponíveis, como a pílula

progestativa de toma contínua, o implante ou o DIU. O ideal é haver um

espaçamento de 2 anos entre gravidezes, em particular se o parto foi por cesariana.

Em casa, no período de puerpério, a mãe deve manter o suplemento de ferro ou

polivitamínico, porque durante o parto há sempre alguma perda de sangue e a

amamentação implica maior gasto das reservas, e deve fazer uma alimentação

equilibrada, bebendo muita água (idealmente 1,5 a 2 litros por dia).

Relativamente aos cuidados com a episiorrafia, é importante uma boa higiene, com

duche diário, e uma limpeza do períneo com água corrente e o gel de banho sempre

após urinar ou evacuar, enquanto a cicatrização não está completa e enquanto

houver perdas de sangue. O gelo local é um bom aliado para os primeiros dias em

vários períodos de 15 minutos, não devendo ser aplicado directamente.

Relativamente à ferida operatória da cesariana, aquando da alta hospitalar far-se- á

a orientação relativamente à remoção dos pontos ou agrafos e os cuidados

necessários. A faixa pós-parto é uma boa aliada nos casos de cesariana, permitindo

um ajuste progressivo e fazendo com que a mãe se sinta mais confortável na

mobilização e nas rotinas com o bebé. A faixa só deve ser usada no primeiro mês

após o parto, sendo que depois é importante que os músculos abdominais voltem a

ser utilizados.

As perdas de sangue – os denominados lóquios- vão diminuindo à medida que passa

o tempo, mas podem estar presentes durante cerca de 30 dias, em pouca

quantidade. Nos casos em que a mãe note uma hemorragia anormal, febre ou um

cheiro não habitual, deve recorrer ao seu médico assistente.

Relativamente à amamentação, são pontos fundamentais uma boa pega do bebé

(para não haver feridas nos mamilos), esvaziar bem uma mama antes de oferecer a

outra ao bebé, ter uma alimentação equilibrada, beber muitos líquidos e tentar

descansar o máximo possível. Se as mamas estiverem muito cheias, podem-se fazer

massagens no duche, com água quente, tentando esvaziá-las até ficar mais

confortável.

O pós-parto pode ser um período de grandes emoções e alterações hormonais,

sendo que o apoio familiar e o descanso contribuem para uma mãe mais disponível

para cuidar e amar o novo elemento da família.

Dra. Sofia Serrano

Ginecologia/Obstetrícia

Médica ginecologista e obstetra

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