Um caval(h)eiro irrequieto

 

 

Calçámos os ténis, vestimos o fato-de-treino e foi depois de uma sessão em que nos mostrou “ao vivo e a cores” muitos dos exercícios que já partilhou no nosso site, que fomos conhecer melhor Pedro Miranda que, além de ser pai, personal trainer, empreendedor, empresário, cavaleiro (!) e bicho-carpinteiro, é ainda o consultor da Mini-Style para a área de fitness e bem-estar.
Foi professor primário mais de uma década, mas deixou essa vida para ir atrás de um sonho: criar o seu próprio negócio, mais concretamente a Koobby, plataforma online em que se pode encomendar serviços de personal trainers. Por Catarina Poderoso

 

Quem é o Pedro Miranda?
Sou licenciado em Educação Física, fui professor primário durante 12 anos e exerci a actividade de Personal Trainer (PT) paralelamente, sempre em part-time. Quando deixei a escola, comecei a ser fitness manager, ou seja, tinha uma equipa de personal trainers profissionais para gerir. Hoje em dia, além de dar treinos tenho ainda vários negócios.

Tanta coisa! Quase que dava um site. Mas já lá vamos…
Tem saudades de dar aulas? De ser o “senhor professor?
É uma boa pergunta. Dizer que tenho verdadeiramente saudades de dar aulas… não sei, é complicado. Tenho saudades de algumas coisas que a escola me dava e, principalmente, tenho saudades da relação com as crianças, com os pais das crianças. Disso tenho saudades. De dar aulas propriamente, sim! Não tenho é saudades de corrigir os trabalhos de casa, testes, dar notas. (risos)
Era um professor muito difícil?
Acho que era um professor diferente. Lido mal com atrasos, com determinadas faltas de educação. Ainda hoje em dia, se marco um treino para certa hora, não é para começar 15 minutos depois, por exemplo. Na escola era assim, se tocava para o aluno entrar na sala às 08h30, era para entrar às 08h30. E eu era muito chato nessas coisas. Nos testes também não facilitava. (risos)
O que sentimos, ao treinar com o Pedro, é que tem muita paciência. Acha que isso tem que ver com o facto de ter sido professor? Ou acha que é inerente a qualquer PT?
Aí falo por mim, acho que qualquer profissional tem que se adaptar ao aluno. O facto de ter sido professor dá-me uma bagagem que vem de ter estado fechado dentro de uma sala de aula cheia de crianças, o dia todo. Crianças com idades entre os 8 e os 10 anos, a quem tinha que ensinar Matemática, Estudo do Meio, História, Português… não era fácil… Não era fácil prender a atenção deles o dia todo. Depois, claro, acaba por ser mais natural transportar isso para os adultos.
Foi muito difícil deixar de ser professor?
Foi e não foi. Apesar de ter sido professor 12-13 anos, confesso que sentia que era pouco para mim. E não era nada contra a profissão. Só achava que aquela coisa das 08h às 18h, fechado numa escola, não era bem aquilo que eu queria para mim. Mas fui ficando. Afinal, estava num dos melhores colégios do País, o Valsassina, e tinha estabilidade, era efectivo, mas ao longo dos anos esta vontade de fazer algo diferente foi crescendo dentro de mim e fui adiando até que entrei numa fase de saturação e resolvi tomar uma decisão. E quando paro e penso o que me fazia feliz, pesou muito mais o desporto.
Esse bichinho do desporto já deve estar aí desde há muito… sei que fez equitação.
Fiz equitação muitos anos. Na verdade, sou um homem do desporto: joguei futebol federado, basquetebol, canoagem, mas a minha grande paixão foi a equitação, os cavalos. Dos onze aos vinte e pouco fiz raides, corridas de trote travado e galope (velocidade)… Sou um homem do norte, de Ponte de Lima, e lá em cima há muito essa coisa de irmos às festas e feirinhas correr quase todos os fins-de-semana na Primavera e no Verão. Lá em cima sou conhecido com Pedro “Cavaleiro”, não é Miranda.

Portanto, em teoria, sempre teve desporto na sua vida.
Sim, desde muito cedo que sim. E, até ao 9º ano, eu queria ser duas coisas: ou mecânico ou motorista de camiões TIR, que era para andar a viajar pelo mundo fora, pensava eu! (risos) Depois, a partir do 9º ano, mudei o chip e foi “Ou sou professor de Educação Física ou não sou mais nada.” Mal eu sabia onde me ia meter!

Porquê?
Ao início foi um bocadinho estranho, principalmente para o meu pai, que tinha aquela ideia de que os professores de Educação Física não faziam nada. Depois, em teoria, só dei aulas de Educação Física um ano, porque comecei logo a ser professor primário, mas o desporto nunca perdi porque comecei a dar aulas de PT em part-time. O desporto esteve, e está, sempre presente. Ainda hoje em dia no mínimo treino três vezes por semana e tento fazer o mesmo com os meus filhos.

É pai de dois. Um menino e uma menina. Qual a relação deles com o desporto?
O João Pedro tem onze anos e a Leonor tem cinco. Assim como eu o fiz, a ideia é que eles também vão experimentando vários desportos. O João Pedro começou pela natação, passou pelo futebol, agora está a fazer ténis e o meu objectivo é que ele no próximo ano comece a fazer equitação e krav maga, que acho que é muito importante. A Leonor começou a natação, mas teve de parar por causa das otites, fez ballet e agora está no karaté. A ideia é que eles, desde muito novos, comecem a ficar habituados a este tipo de vida.

Por ter sido professor primário, acha que é um pai mais “chato”? Que está mais em cima do desempenho deles na escola?
O facto de ter sido professor primário é péssimo! O que exigia na escola aos alunos não exijo aos meus filhos. A minha preocupação é que os meus filhos sejam felizes, que sejam educados e que cumpram os mínimos: cheguem a horas, não tratem mal os professores nem os colegas, sejam responsáveis, que estudem dentro das capacidades deles, porque nem toda a gente tem as mesmas.
A Leonor ainda está no jardim infantil por isso não sei como será o seu processo de aprendizagem e o João Pedro está no 6º ano. Ele passou uma fase mais complicada quando me separei da mãe; acabou por ser apanhado num período mais delicado entre os pais. Ele tem hiperactividade e défice de atenção, portanto tem uma forma de aprendizagem ligeiramente diferente, mas eu não tenho dúvidas que a partir do momento em que se focar, vai conseguir chegar lá. O que lhes digo a eles é que têm de dar sempre o seu melhor. Sempre. Se o melhor deles for um Satisfaz, eu fico contente. Se for um Bom, ou um Muito Bom melhor ainda, claro. Mas isso devo à escola, ao facto de ter sido professor, porque noutros tempos pensaria um bocadinho diferente. Acho que iria exigir mais.

O que é que acha que pode trazer de diferente para o Mini Style?
Como este site é para mães, pais e filhos, tendo eu trabalhado com mães, pais e filhos tanto ao nível do ensino básico, como a nível do treino propriamente dito, acho que me encaixo que nem uma luva, pois consigo juntar o melhor de dois mundos. Além de que, sim, é dirigido para pais e filhos, mas é sobretudo para as mães, as mulheres. E a realidade é que eu além de ter uma pós-graduação em Exercício e Saúde, com especialização em treino personalizado e fiz também várias formações para populações especiais.

Tem de ser muito diferente o treino para grávidas?
Não é muito diferente, mas há critérios e condições que são necessários de cumprir e é preciso estar mais atento. Dentro do treino, há uma área denomidada “populações especiais”, dentro dessas populações especiais temos as crianças e jovens, grávidas, idosos, obesidade, doenças cardiovasculares ou hipertensão, diabetes e indivíduos portadores de deficiências físico-motoras e/ou psíquico-mentais. São pessoas que devem treinar mediante autorização do seu médico. Nestes casos, para essas “populações especiais”, tal como existem, por exemplo, médicos de clínica geral e médicos de especialidade, também existem personal trainers mais especializados neste tipo de população. Como sempre treinei mais mulheres que homens, senti uma maior necessidade de fazer formações complementares específicas para o corpo feminino e as suas variadas etapas. Neste caso, gravidez e pós-parto, são coisas que “corri” atrás a nível de formação.
Acha que treinar mais mulheres está relacionado com o facto de elas sentirem mais necessidade de treinar acompanhadas?
Acho que as mulheres têm uma forma de estar na vida diferente. Preocupam-se mais com elas e com o seu bem-estar. Gostam de se sentir bonitas. Os homens são um pouco mais desmazelados, apesar de, cada vez mais, isso estar a mudar para eles. Mas, ainda assim, são mais as mulheres a ter mais cuidado com estas questões de estética e, acima de tudo, de saúde. No meu caso, eu trabalho basicamente com mulheres.

Sente que é um desafio, mudar uma cliente?
Ajudar pessoas é um desafio constante. E é isso que eu gosto de fazer. Não só em termos estéticos, que é importante, mas principalmente em termos de saúde, porque cada vez mais é essencial as pessoas pensarem que é preferível investir agora um pouco nelas, e nos treinos, do que gastar no futuro em medicamentos na farmácia. Hoje em dia, muita gente considera que ter um PT é caro, que é algo exclusivo, é visto quase como um luxo, mas não é bem assim. Não é difícil ter um PT. Se pensarmos na quantidade de dinheiro que cada um de nós acaba por “estragar” todos os meses, daria para ter PT nem que fosse apenas 30 minutos por semana. Se começarmos a somar os “disparates” do mês – por exemplo jantar ou almoçar fora todas as semanas, ir beber um copo à noite, no caso de ser fumador, os cigarros, comprar roupa nova todos os meses –, consegue-se pôr dinheiro de parte para a nossa saúde.

Foi professor; é empreendedor, empresário, pai, PT. É muito difícil arranjar tempo para isso tudo?
Quando se faz as coisas com gosto, torna-se mais fácil. Os meus dias começam sempre às 06h20 e nunca acabam antes das 22h. Começam sempre com a minha mulher a dizer que me odeia! (risos) Obrigo-a quase todos os dias a levantar-se para vir treinar comigo ao ginásio. Mas tenho de começar a essa hora para conseguir fazer tudo o que tenho a fazer ao longo do dia: para dar treinos, para estar no escritório, para me dedicar aos projectos todos aos quais estou envolvido.

Têm de ser muito bem planeados os seus dias!
Sim, os dias têm de ser bem geridos e um bocadinho diferentes das pessoas “normais”, de um dia “normal” de trabalho. De manhã, até por volta do meio-dia, dou treinos e de tarde estou no escritório. No final do dia, volto para o ginásio. Ando sempre a trocar de “fato”! Mas ao fim do dia volto a ser PT, às vezes com dias cansativos entre reuniões e decisões difíceis que se têm que tomar, o ginásio é o meu momento. É onde eu penso. É onde as pessoas com quem trabalho me ajudam a pensar, porque ser PT é muito mais que chegar e dar treinos. Eu se calhar acabo por ser um felizardo, porque dou treino a um grupo muito restrito de pessoas que acabam por ser amigos, são quase família.

Foi quase como cresceu a Koobby…
Sim, a Koobby tem uma história fantástica, porque um dos sócios da Koobby era meu aluno, o Noel Gomes. Trabalhava comigo de segunda a sexta-feira das 07h às 08h; tínhamos um “caso” todos os dias (risos). E como eu tenho um grande problema de bicho-carpinteiro, não consigo estar quieto, já andava a pensar nisto há uns meses: que não existia uma coisa do género. Mas eu vinha de uma área diferente, afinal, eu era professor! Como não sabia muito bem desta parte dos negócios, o Noel, empreendedor e empresário de sucesso com algumas empresas, ouviu-me e decidimos avançar. Procurámos duas pessoas com perfis específicos, uma mais ligada ao empreendedorismo e à criação de Startups e outra especialista em marketing digital. Juntámos forças e a Koobby está aí. E está a começar a funcionar muito bem.

E o que é a Koobby?
A Koobby, é uma plataforma para promover os personal trainers, e a minha ideia é, o mais possível, dar visibilidade aos profissionais de desporto do nosso país que não têm conhecimento de marketing, não se conseguem promover, e nós fazemos isso por eles. A ideia é também que os clientes consigam mais facilmente chegar a um PT profissional e com outras mais-valias: é mais barato, é permitido ser à la carte, sem obrigatoriedade, é cómodo (pois a pessoa é que escolhe onde, quando e como quer fazer, ao contrário de ginásios que podem ter mais limitações, como mensalidades, pacotes mínimos de fidelização, etc).

A parte do online é muito importante para si? Sei que também tem um site em que mostra todas as suas facetas (http://pedromiranda.pt).
O site nasceu para facilitar a perceção do que eu faço pois, nos últimos tempos, quando me perguntam em que é que eu trabalho, é um turbilhão de coisas! Faço consultoria a uma clínica dentária em Matosinhos; sou PT; faço a parte operacional de uma empresa de produtos naturais; tenho um projecto online com a minha mulher; e ainda tenho a Koobby. Quando as pessoas me perguntavam ficavam baralhadas. Com o site, o que tentei fazer foi explicar um pouco melhor quem sou. Ainda por cima, três dos meus negócios são online. É mesmo por onde vai passar o futuro.

Para os interessados, como podem treinar consigo?
Uma grande parte dos meus alunos chega por referência. São contactos uns dos outros. Neste momento, para quem não me conhece a Koobby é a forma mais fácil, embora o tempo não seja muito para novos alunos. No entanto, e apesar do pouco tempo que me sobra, por norma, não consigo dizer que não a uma referência. Se tenho alguém que me diz que tem um amigo que quer treinar comigo, por referência faço tudo por encaixar mais um treino.

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